
ABLLAU foi a primeira palavra que eu pronunciei. Em português nada significa, mas eu não sabia disso, e com ela dizia tudo... ABLLAU was the first word that I pronounced. In Portuguese it has no meaning, but I didn’t know that, and with it I said everything.
já nada no peito deles pede água.
Escuta, por isso, os novos rumores que trouxe para ti.
O poeta é um fingidor.
Basta de palavras como pássaro, orvalho ou madrugada
basta de cartas de amor. Sobretudo as ridículas.
Basta do sal que são lágrimas de Portugal
e da vontade que nos ata ao leme.
Nem bússola nem âncora.
Pintemos com os tons fortes do cianeto.
E já te disse: os poetas estão gastos.
Trata-os como a fedelhos
vai-lhes ao cu, dá-lhes conselhos
manda-os apanhar chuva oblíqua.
Que saiam e vão ver soprar
uuuuh o vento lá fora.
com mulher e mar ao fundo.
Põe Chernobyl.
Entretemo-nos depois a recolher os pedaços do mundo.
Escuta, por isso, os novos rumores que trouxe para ti:
São feitos das palavras rudes que conheço
O poeta que há em mim é movediço
Fora disso, sou burgesso
Poema: Mosaico - João Habitualmente
Outros poemas de João Habitualmente: (1 2 3)
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Mais uma performance poética na sala polivalente do CCC, em Torres Vedras, promovida pelos agora denominados EGO WHIST, desta vez com o virtuoso guitarrista RUBEN MONTEIRO.
Actuação enquadrada no CICLO TRADICIONAIS E AFECTUOSOS, uma parceria entre a LIVRODODIA e a COOPERATIVA DE COMUNICAÇÃO E CULTURA.







Sim, em teoria, todos temos o mesmo direito a existir enquanto lá fora, na direcção das paredes das nossas casas,
outras tantas pessoas andam com os pés enterrados na lama
e as caras sujas de fome e falta de vitaminas essenciais ao sorriso.
Sim, em teoria, todos achamos que o importante é o bem-estar geral mesmo que isso implique uns quantos pretos a boiar no Mediterrâneo
e muitas famílias perdidas em continentes que pensamos terem sido inventados
para o nosso turismo idiota de ficar parado dias inteiros ao sol.
Sim, em teoria, sentimos ter a garantia de um futuro abençoado pelo sistema de segurança social em bancarrota que nos deixaram,
em cofres de bancos defendidos pelos melhores advogados,
os nossos avozinhos que foram para o Brasil a vinte seis de Abril de setenta e quatro.
que aceitem os nossos cartões visa sem validade porque o nosso nome vem nos jornais,
mesmo que algumas pessoas sejam despedidas todos os dias trinta do mês
porque as dívidas dos clientes impedem uma boa relação com os fornecedores.
Sim, em teoria, vamos todos acabar por ser felizes mais dia menos dia porque se não o capitalismo há-de ser a religião ou a caridade ou o euromilhões
ou o casamento rico do nosso filho que andou a estudar para doutor das regras
e agora vive desregradamente à custa dos outros para nos fazer felizes a nós.
Sim, em teoria, vamos todos acabar mortos mais dia menos dia e como não levamos nada desta vida a não ser as vidas todas que para ela trouxemos
talvez o melhor seja comer e beber tudo o que nos colocarem sobre a mesa portuguesa
e ao sair esperar, sempre de sorriso nos lábios, que o tipo que vem atrás pague a conta.
Poema: Em Teoria - LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO
Na sequência do projecto RLVA e da noite AL BERTIANA, "O ruído que há no silêncio entre as palavras" é mais uma performance poética aqui divulgada. Desta vez, numa actuação integrada no projecto HABITAR TORRES VEDRAS
Poesia: LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO
Ambientes sonoros: NICO VERINO
Imagens vídeo: PHAUSTINO
Guitarra: DE LA VEGA (GUITARRISTA DOS THE FOX)
Imagens: STEVE MCCURRY
Winand I












