
Excerto do poema "Liberdade" de Fernando Pessoa, inscrito a giz no painel central da imagem. Ver o poema completo em comentário (com o agradecimento a Helena Teresa Silva).
ABLLAU foi a primeira palavra que eu pronunciei. Em português nada significa, mas eu não sabia disso, e com ela dizia tudo... ABLLAU was the first word that I pronounced. In Portuguese it has no meaning, but I didn’t know that, and with it I said everything.
Sim, em teoria, todos temos o mesmo direito a existir enquanto lá fora, na direcção das paredes das nossas casas,
outras tantas pessoas andam com os pés enterrados na lama
e as caras sujas de fome e falta de vitaminas essenciais ao sorriso.
Sim, em teoria, todos achamos que o importante é o bem-estar geral mesmo que isso implique uns quantos pretos a boiar no Mediterrâneo
e muitas famílias perdidas em continentes que pensamos terem sido inventados
para o nosso turismo idiota de ficar parado dias inteiros ao sol.
Sim, em teoria, sentimos ter a garantia de um futuro abençoado pelo sistema de segurança social em bancarrota que nos deixaram,
em cofres de bancos defendidos pelos melhores advogados,
os nossos avozinhos que foram para o Brasil a vinte seis de Abril de setenta e quatro.
que aceitem os nossos cartões visa sem validade porque o nosso nome vem nos jornais,
mesmo que algumas pessoas sejam despedidas todos os dias trinta do mês
porque as dívidas dos clientes impedem uma boa relação com os fornecedores.
Sim, em teoria, vamos todos acabar por ser felizes mais dia menos dia porque se não o capitalismo há-de ser a religião ou a caridade ou o euromilhões
ou o casamento rico do nosso filho que andou a estudar para doutor das regras
e agora vive desregradamente à custa dos outros para nos fazer felizes a nós.
Sim, em teoria, vamos todos acabar mortos mais dia menos dia e como não levamos nada desta vida a não ser as vidas todas que para ela trouxemos
talvez o melhor seja comer e beber tudo o que nos colocarem sobre a mesa portuguesa
e ao sair esperar, sempre de sorriso nos lábios, que o tipo que vem atrás pague a conta.
Poema: Em Teoria - LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO
Na sequência do projecto RLVA e da noite AL BERTIANA, "O ruído que há no silêncio entre as palavras" é mais uma performance poética aqui divulgada. Desta vez, numa actuação integrada no projecto HABITAR TORRES VEDRAS
Poesia: LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO
Ambientes sonoros: NICO VERINO
Imagens vídeo: PHAUSTINO
Guitarra: DE LA VEGA (GUITARRISTA DOS THE FOX)
Imagens: STEVE MCCURRY
Winand I















Miroslav Tichý, MT Inv. no.: 4-1, by courtesy of Foundation Tichý oceán






Quando é moda por todo o mundo falar-se em crise, por cá, e no mercado editorial (que se recente extremamente com as crises empresariais, já que assenta a maioria das suas receitas na publicidade) assim de relance, reparei em duas novas publicações: a primeira, uma revista de fotografia que se dirige a fotógrafos profissionais e iniciantes. A segunda, foi um Relance.
Não sendo uma novidade absoluta, a DP é no entanto agora uma revista inteiramente Made In Portugal, e emancipada da sua congénere que lhe dá resguardo, a Digital Photographer.
A segunda, a RELANCE, (assim se chama) engana pelo nome, já que é uma revista que pretende ser “um olhar atento e contemporâneo”.
Esta imagem faz parte de um conjunto de dez (ou mais) imagens semelhantes, destinadas a um projecto multimédia que acabou por ficar de férias por uns tempos. A descansar, a meditar, à espera de melhor inspiração, ou simplesmente a ganhar pó, ainda não sei...Um vídeo composto por 36 fotografias obtidas durante um espectáculo do mimo CARLOS MARTINEZ , inspirado na carta dos DIREITOS HUMANOS.
Nota: a sequência das imagens não segue integralmente a cronologia do espectáculo.
Um jardim dentro de casa? Um relvado - para usufruir como um espaço comum de sonhos. As paredes - filme. Imaginário em fenda, sem saída, em eterno escape. Os sons, repercutidos dentro da cabeça - início do caminho para. As palavras - de tantos nomes, de tantos lugares, ditas - as palavras, enfim.
