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CALIBRAR O MONITOR

CALIBRAR O MONITOR
Tente distinguir todas as zonas de transição correspondentes às letras de A a Z

quarta-feira, abril 30

Sim...

Yes ... one day you will know... That the most light move of wings, it is the true thread of the life...
One day you will know that you cannot organize the dreams. Yes...

sábado, abril 12

O Teatro da Realidade

(Faça click sobre a imagem)
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É um facto, que a fotografia tem aquela qualidade quase mágica de fazer parar o tempo. De forma figurada, um simples microsegundo pode ser estendido quase até à eternidade... Com isso, além de ganhar um prolongamento muito generoso da sua vida, o dito microsegundo ganha igualmente notoriedade. Porque, quando ele acontece (e está sempre a acontecer) se não houver por perto um fotógrafo, ele será apenas mais um de entre todo o devir de segundos que acontecem a cada momento.
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quinta-feira, março 27

Ser Fotógrafo

FOTO: Sérgio Marques (cópia não permitida sem autorização do autor)

Uma criança que passa ao colo do seu pai ou mãe (não interessa para o caso) deixa cair a chupeta.
Seguidamente, alguém que passa, vê a chupeta no chão. Deduz facilmente que esta pertencerá a um qualquer bebé que a tenha deixado cair e, como bom cidadão, resolve pendurá-la pela corrente, na grade metálica que se encontra logo ali.
Segue o seu caminho, totalmente esquecido da acção que acabara de ter, enquanto a chupeta, qual objecto inanimado, não pode ter consciência do seu significado quando pendurada naquelas grades. As grades são de um cemitério. Podiam ser de qualquer outro sítio, podiam até ser de uma vivenda, de um solar. Mas não, são de um cemitério. Além disso, está nevoeiro. Há ainda uma estrada e uma passadeira que a atravessa. O cenário está montado...
Tão igualmente por acaso como tudo o resto, aparece um fotógrafo acompanhado do seu irmão.
A mente do fotógrafo, funciona por símbolos. Os objectos, as pessoas, os edifícios, para ele não são objectos pessoas e edifícios. São símbolos, ou linhas geométricas.(...) O fotógrafo não vê a realidade como o comum dos mortais. Vê antes, uma outra realidade. (...) Para que a mente imaginativa do fotógrafo, a chupeta não é a chupeta, é o início da vida... O cemitério não é o cemitério, é a morte... O nevoeiro não é o nevoeiro, é o mistério... Finalmente a passadeira que atravessa a estrada, não é uma passadeira, é a caminhada... Até o irmão que espera impacientemente (porque não é fotógrafo?) mais à frente à beira do passeio, não é apenas o irmão, é a representação do ser humano numa determinada fase da vida.
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quarta-feira, março 12

Save My Soul







A história: esta história fala-nos de um espírito, um espectro, um fantasma, como se quiser. Ele está preso naquela casa, triste, melancólico, deambulando sem qualquer expressão. Apenas observando o lento degradar do mundo onde outrora viveu. E em silêncio, confronta-se com a sua morte.
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terça-feira, fevereiro 19

Antero de Quental *

ESPIRITUALISMO

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.


NIRVANA

Para além do Universo luminoso,
Cheio de formas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vácuo tenebroso.


A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida ...
Numa imobilidade indefinida
Termina ali o ser, inerte, ocioso ...


E quando o pensamento, assim absorto,
Emerge a custo desse mundo morto
E torna a olhar as coisas naturais,


À bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
A ilusão e o vazio universais.
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domingo, fevereiro 10

O homem invisivel


OLHO CAMERA ALMA


OLHO CAMERA ALMA, é um jogo de palavras inspirado na famosa ordem dos realizadores de cinema: "luzes, camera, acção!"
Tal como acontece noutros auto-retratos meus, também neste os meus olhos não aparecem. Essa característica deve-se ao facto de eu acreditar que a fama rouba individualidade às pessoas.
À semelhança de certas crenças ancestrais, também eu acredito que, de uma forma figurada, a fotografia rouba a alma às pessoas fotografadas. E como os olhos são o espelho da alma...

terça-feira, janeiro 22

Casa Hipólito 1900 - 1990


Na fachada da Casa Hipólito, em tempos a maior indústria do Concelho de Torres Vedras, pode-se ler as seguintes datas: 1900 - 1990. Este pormenor alimentou a minha imaginação pela sua estranheza... Pareceu-me uma lápide, onde se regista a data de nascimento e morte da pessoa que cobre. Neste caso, homenagem a uma das muitas empresas (e por extensão a todas) que não resistiu à modernização, à globalização e à má gestão. Na sua agonia final deixou 600 trabalhadores desempregados, sendo que 300 deles, resistiram até ao fim.
As imagens que se seguem não pretendem ser uma foto-reportagem, no sentido clássico do género. São antes alguns apontamentos onde se experimentam diversas abordagens estéticas, com a pretensão de contar uma possível história dos últimos dias daqueles edifícios, agora em início de demolição, cruzando-a com imagens reveladoras do estado de espírito e relação pessoal com aquele espaço.

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