ABLLAU foi a primeira palavra que eu pronunciei. Em português nada significa, mas eu não sabia disso, e com ela dizia tudo... ABLLAU was the first word that I pronounced. In Portuguese it has no meaning, but I didn’t know that, and with it I said everything.
sexta-feira, dezembro 28
Tempo
Sim, sou eu...
Á medida que passo, o chão foge-me debaixo dos pés. Para trás deixo os meus passos.
Os jornais, agora alinhados, dizem todos a mesma coisa. Parece que mataram aquela senhora... Aquela com o nome parecido com o óleo de fígado de bacalhau que a minha mãe me obrigava a tomar nos invernos e que eu detestava...
Parece que o tipo que o fez, estava mesmo decidido. Deu-lhe com um tiro no pescoço e depois, talvez para que ela morresse mesmo bem, ou por outra razão qualquer que desconheço, explodiu-se a ele e a mais uns quantos. Que desperdício...
Ouvi dizer que os países ocidentais tinham esperança nessa senhora, para que aquele país não se transforme num caos... A esperança morreu. Mas o caos nascerá? A vida é imprevisível, as bombas atómicas também... Poderão explodir em qualquer lado, é só uma questão de tempo... Afinal foi para isso que foram feitas...
Neste momento passo por um quintal. O cão deprimido e que cheira mal, ladrou-me como faz com toda a gente, com aquela voz grossa, embora sem convicção. Como que chateado com a humanidade e ao mesmo tempo resignado, porque está preso e não sai dali há anos.
Olho para a frente. Estou quase a chegar.
Toda a gente diz que vai começar um novo ano, mas não noto nada. Para mim, o que vai começar é um novo passo. E mais outro...
Agora é só abrir a porta e já está.
domingo, dezembro 23
sexta-feira, dezembro 21
domingo, dezembro 16
quinta-feira, dezembro 6
domingo, dezembro 2
segunda-feira, novembro 19
Mas... a sério?
Não sei se nada sei e não duvido nada disso.
Mas duvido sempre, que seja isso que eu sei.
Tenho sempre a certeza da certeza que não tenho.
Mas por via das dúvidas, tenho sempre algumas dúvidas.
Nunca me levo a sério.
E isso levo muito a sério!
Pensamentos definidos
PENSANDO: acção que produz pensamentos
PENSAMENTO: processo de produção de pensares
PENSAR: acto de colocar um penso
domingo, novembro 18
segunda-feira, novembro 12
domingo, novembro 11
sexta-feira, novembro 9
O GOZO de Nuno Vaza

Ciclicamente, a arte apresenta nada. Com isso, representa tudo. Tudo o que o espectador quiser, nem que seja a sua própria indignação. Isso é o que normalmente acontece perante obras como a instalação intitulada "O GOZO", patente no Centro de Cultura Contemporânea, em Torres Vedras.
Numa sala de formato trapezoidal comprida (a fazer lembrar um corredor largo que vai afunilando ligeiramente) e completamente pintada de preto, figura, no chão, e a uma distância de cerca de dois terços do topo de fundo, um cubo preto com dimensões semelhantes a um puff e executado num material que não identifiquei. Está alí como que a convidar o espectador a sentar-se, enquanto aprecia uma projecção de 24 diapositivos projectados na parede de fundo.
Dos 24 diapositivos, o primeiro traz apenas um aviso: "ALGUMAS DESTAS IMAGENS SÃO EXTREMAMENTE CHOCANTES E SUSCEPTÍVEIS DE FERIR A SENSIBILIDADE". Os restantes 23, apresentam uma única cor: preto.
A referida instalação (ou desinstalação) patente até dia 1 de Dezembro, é de autoria do promissor e por diversas vezes premiado artista plástico, Nuno Vaza (o nome do autor condiz).
Ou poderia ter sido de João César Monteiro, o polémico e já falecido realizador do não menos polémico filme sem imagens intitulado "BRANCA DE NEVE". Ou de Ives Klein, o famoso artista plástico criador do azul Klein, única cor com a qual pintou muitos dos seus quadros, e que em 1958 inaugurou em Paris, com toda a pompa e circunstância de um grande acontecimento, protagonizado por um artista na época já relativamente conceituado e respeitado, a exposição intitulada "O VAZIO" que consistia numa sala... vazia.
Ou do artista plástico espanhol, do qual não me recordo o nome, (esvaziou-se-me...) que expôs há cerca de dois anos, na Fundação Serralves, igualmente paredes sem qualquer quadro e apenas com algumas marcas de solas de sapato, como que a convidar o espectador a descarregar a sua fúria, dando igualmente pontapés nas paredes. O que conseguiu!
Ou ainda de outro qualquer autor que desconheço por completo...
Como se pode constatar, não se trata de uma obra que pretenda possuir qualquer tipo de originalidade. No entanto, não é isso que aqui está em questão, até porque a corrida pela originalidade absoluta, esgotou-se quando Marcel Duchamp expôs o seu famoso urinol. A partir daí, tudo é possível, tudo pode ser visto. Ou nada.
Mas continua a haver uma necessidade na obra de arte. Uma necessidade que se prende com o facto de se saber se atinge ou não, os objectivos a que se propõe. E essencialmente, quais serão esses objectivos.
Em relação a esta obra, se o objectivo é gozar, com certeza que foi atingido. Porque os espectadores ao aperceberem-se que afinal não havia qualquer imagem chocante, sentiram-se com certeza gozados. Mas será que não havia mesmo qualquer imagem chocante?
Penso que a mais chocante das imagens, será a indignação de um público que se sente defraudado por não ter visto... imagens chocantes!
No entanto este tipo de manifestações artísticas levanta ainda inúmeras questões, que vão muito para além do simples gozo, que, penso só existir no título, por uma questão necessidade do autor em defender a sua reputação artística. Como quem diz... "pá, desculpem lá, isto é só uma pequena brincadeira, não levem a mal..." Compreensível. Principalmente, para quem conhece a localidade onde foi exposta a obra.
E se dúvidas houvesse sobre essa necessidade, o pacato jornal da terra, que tem como directriz editorial, não chatear muito e não dar grande destaque a questões artísticas não "oficiais", desta vez abriu duas excepções de uma só assentada, destacando na sua página seis, um artigo (com respectiva fotografia preta) e com o esclarecedor título: "TORRIENSES GOZADOS".
Mais uma vez, não me parece que o objectivo tenha sido o gozo. (Se foi, então ficou muito aquém do que poderia ser...). Ao contrário, o objectivo poderá ser o de mostrar precisamente, o VAZIO. No caso, o vazio de imagens chocantes.
Mas o vazio incomoda, precisa de ser imediatamente preenchido, nem que seja com a indignação... nem que seja com estas linhas...
PS: a imagem que aqui se apresenta como ilustrativa desta crónica, é um fundo preto do Photoshop, não é nenhum dos diapositivos da autoria do Nuno Vaza, como tal, pode ser copiada livremente sem obrigação da indicação da sua autoria.
Em relação a esta obra, se o objectivo é gozar, com certeza que foi atingido. Porque os espectadores ao aperceberem-se que afinal não havia qualquer imagem chocante, sentiram-se com certeza gozados. Mas será que não havia mesmo qualquer imagem chocante?
Penso que a mais chocante das imagens, será a indignação de um público que se sente defraudado por não ter visto... imagens chocantes!
No entanto este tipo de manifestações artísticas levanta ainda inúmeras questões, que vão muito para além do simples gozo, que, penso só existir no título, por uma questão necessidade do autor em defender a sua reputação artística. Como quem diz... "pá, desculpem lá, isto é só uma pequena brincadeira, não levem a mal..." Compreensível. Principalmente, para quem conhece a localidade onde foi exposta a obra.
E se dúvidas houvesse sobre essa necessidade, o pacato jornal da terra, que tem como directriz editorial, não chatear muito e não dar grande destaque a questões artísticas não "oficiais", desta vez abriu duas excepções de uma só assentada, destacando na sua página seis, um artigo (com respectiva fotografia preta) e com o esclarecedor título: "TORRIENSES GOZADOS".
Mais uma vez, não me parece que o objectivo tenha sido o gozo. (Se foi, então ficou muito aquém do que poderia ser...). Ao contrário, o objectivo poderá ser o de mostrar precisamente, o VAZIO. No caso, o vazio de imagens chocantes.
Mas o vazio incomoda, precisa de ser imediatamente preenchido, nem que seja com a indignação... nem que seja com estas linhas...
PS: a imagem que aqui se apresenta como ilustrativa desta crónica, é um fundo preto do Photoshop, não é nenhum dos diapositivos da autoria do Nuno Vaza, como tal, pode ser copiada livremente sem obrigação da indicação da sua autoria.
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A exposição:
terça-feira, novembro 6
Disco de Ouro

Este disco foi oferta de um grande amigo que me conhece bem. Encontrou-o assim mesmo como está, desprezado numa qualquer rua de Cabo Verde. E com um cuidado nem sempre habitual, (eu sei que ele me vai perdoar) fez questão de mo oferecer “intacto”.
Foi a única recordação que me trouxe dessa viagem, mas não poderia ter trazido outra melhor! Por isso e por todos os outros simbolismos subliminares (e nada triviais) que este simples objecto deteriorado contém, resolvi colocá-lo na parede como se de uma obra de arte se tratasse. São essas as razões porque lhe chamo "Disco de Ouro".
sábado, novembro 3
sexta-feira, novembro 2
domingo, outubro 28
Apenas luz
Quem leva esta coisa de carregar em botões de máquinas fotográficas um pouco mais a sério, poderá dizer que estas imagens não passam de lixo reciclado. Com razão. E acrescento: estas e outras mais que aqui tenho deixado!O que me interessa nas imagens não é tanto o que elas possam ou não mostrar, mas a capacidade única que algumas delas têm de fazer surgir novas imagens nas nossas mentes. A essas imagens que me surgem, chamo imagens imaginadas.
Com elas construo o meu mundo. Com essa construção, faço novas imagens. É como quem sobe uma escadaria de ideias. Nesse processo há sempre estórias que se contam (ou não)... Há sentimentos que se mostram, ou se escondem... mistérios que se revelam ou se adensam...
Tudo isso são apenas meios que me conduzem a um fim que eu próprio ainda desconheço. São os meus processos de descoberta.
Nesse contexto, esta imagem não passa de uma projecção. Uma luz... apenas luz. Quente. Confortável. É esse o seu valor.
sábado, outubro 27
sexta-feira, outubro 26
A dúvida existe?
ASSIM rasgo o meu casaco
PENDURADO
NA estupida PRATELEIRA
apenas porque existe e não sabe disso!
COMO PODE ALGUÉM
destruir uma existência?
A existência apenas pode
TRANSFIGURAR-SE
noutra e noutra AINDA, SEM cessar.
Até ao infinito! Ou mesmo até depois...
ou antes...
quem pode SABER SE há infinito?
A existência não tem início nem fim.
logo, não EXISTE!
quarta-feira, outubro 24
terça-feira, outubro 23
sábado, outubro 20
sexta-feira, outubro 19
Palavras mal - ditas
AS PALAVRAS do meu ser não VIVEM neste mundo.
NÃO inventaram as palavras que DIZEM o que quero dizer!
Seja ISSO o que for...
Química
quarta-feira, outubro 17
Auto-Retrato (instalação)
Estas images representam uma instalação que fiz para uma exposição no Centro de Cultura Contemporânea, em Torres Vedras, intitulada COM SUMO OBRIGATÓRIO. O título completo da instalação, era auto-retrato (fotografia ainda por realizar) mas neste momento, as palavras ainda por realizar estão a mais. Ou talvez não...
Com esta instalação pretendi levantar algumas questões que me preocupam em relação à fotografia, à forma como ela se define e enquadra. Não só na arte mas também na vida. A primeira questão: onde começa uma fotografia? No momento do click? Ou começa no assunto, seja ele uma paisagem, um retrato ou uma composição propositadamente montada para ser fotografada? Se quanto aos primeiros exemplos, não será muito difícil estabelecer as fronteiras (embora sempre algo difusas), quanto ao ultimo dos exemplos, essa fronteira esfuma-se ainda mais: para Philippe Dubois* "com a fotografia, já não é possivel pensar a imagem fora da sua constituição, fora do acto que a faz ser como tal, entendendo-se (...) que esta 'génese' tanto pode ser um acto de produção propriamente dito (tirar a fotografia) como um acto de recepção ou difusão (...)". Vemos nesta frase, um claro esfumar das referidas fronteiras, uma vez que se considera com génese da fotografia, (aqui entendida como sinónimo de imagem) todas as intervenções que nela acontecem ou que permitem que seja difundida e recebida por quem a observa. Daí a perinência da minha questão: e antes do click? Toda a preparação, o estudo do angulo, a composição, a espera do momento? Não fará tudo isso também parte da fotografia?
A segunda questão: o que deve representar uma fotografia? O objecto fotografado e nada mais? Ou pelo contrário, de nada importa o objecto fotografado e o que tem valor é somente o significado ou o efeito que se pretende obter, mesmo que esse mesmo significado não tenha qualquer relação directa com o objecto fotografado? (Lembremo-nos que o título é auto-retrato...). E se assim é, então porque se fotografa? Parece um contra senso, pois se não é para mostrar o objecto fotografado...
Estas questões, para mim, estão ainda sem resposta, mas é ao colocá-las, que vou buscar motivação para muitos dos meus trabalhos de origem fotográfica. Neste caso em particular, houve ainda uma intenção de, não provocar, mas jogar, interagir com o espectador. Enquanto que, ao mesmo tempo, abordava de forma subtil o tema da exposição, que tinha a haver com uma crítica à sociedade de consumo, ou seja, a todos nós em geral e a cada um enquanto indivíduo. Assim, coloquei um espelho no cenário, de tal forma direccionado, que o observador que se colocasse em frente da câmara fotográfica, não se veria nele reflectido. Em vez disso, leria a frase “és o que consomes” (reflectida a partir da parede existente atrás) e onde se destacavam algumas letras, de forma a compor uma segunda observação dentro da primeira: “o que some”. (Mais ou menos desta forma: és O QUE conSOMEs). No visor da máquina fotográfica, (uma Mamya 6x6 de enquadrar por cima) coloquei um espelho de forma tal que, quem por ela espreitasse, ver-se-ia a si mesmo, em vez do cenário para onde apontava a lente. Assim, o auto-retrato não seria necessariamente o meu auto retrato, mas o de quem interagisse com o espaço.
Mas aqui há também outra das minhas preocupações: fotografamos, não para conhecer o mundo à nossa volta, mas para nos reconhecermos a nós próprios. Assim como em todas as nossas acções, não vemos o mundo como ele é, vemo-nos a nós, nele reflectidos...
Por fim, a cadeira: a cadeira tem aquele simbolismo universal, que nos transporta logo à ideia de descanso, ou de certa forma e por analogia, à de paz interior. Essa ideia foi reforçada pela cor branca com que a pintei. Mas há um contra senso... a cadeira não tem forro no tampo, nas costas, ninguém pode sentar-se nela sem o risco de cair, de se magoar. Ninguém pode descansar! É também assim a vida. A ideia de descanso, para muitos não passa de uma ideia, ou, se quisermos, de uma ilusão..
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* IN: O ACTO FOTOGRÁFICO
Colecção Comunicação & Linguagens, Veja
Mão
Não
domingo, outubro 14
O meu cão
No mundo das imagens há de tudo para todos os gostos. Há imagens que, pela sua força, beleza, oportunidade, ou seja o que for, estão desde logo condenadas à fama. Algumas delas (ou muitas, no caso do foto jornalismo) não têm sequer qualquer outro valor que o da oportunidade. Outras, mais caseiras, não têm qualquer outra função que a de recordar (pobremente) uma qualquer situação familiar ou curiosa. É o caso desta. Mas apesar disso, gosto dela. Ao ponto de me ter dado ao trabalho de a embelezar com um pouco de Photoshop (neste caso foi mais estragar para que parecesse antiga...). Mas o facto é que, não sendo eu caçador, esta imagem me traz à memória um dos momentos de maior adrenalina que já experimentei perante um animal selvagem, desde os meus tempos de infância, quando vivi em Angola. Na fotografia não se nota, mas o veado retratado era pouco sociável. Vivia meio em liberdade, meio em cativeiro numa Quinta que estava a fotografar a propósito de um trabalho documental sobre património. Quando dei com ele, não resisti: eu tinha de fotografar aquele veado! Então, depois de algumas peripécias em que o dito bicho conseguiu furtar-se ao retrato, apanhei-o encurralado. Seria fácil, ele não tinha por onde sair... a não ser que passasse por cima de mim! Pois...
Com a maior das calmas possíveis medi a luz, ajeitei o tripé com a máquina, uma Mamya 6x6, tão boa para retratos como lenta para situações complicadas... e, como tinha cabo disparador, cheguei-me suavemente para a aduela da porta, enquanto esperava pelos dois minutos que durou a exposição. Tudo correu bem. Tão bem que, entusiasmado, ganhei coragem para um novo retrato. Dar-lhe-ia um outro tempo de exposição para tentar compensar melhor alguma quebra de reciprocidade e o contra-luz...
Um pequeno movimento mais brusco. Bastou isso, um pequeno movimento um pouco mais rápido que a câmara-lenta em que, até àquele momento, tinha actuado, e o veado levanta-se. Claro que, numa fracção de segundo incronometrável, eu já estava (com a máquina e tripé na mão) numa outra secção da casa encostado a uma parede e com as pernas a tremer que nem varas verdes! É por isso, que gosto tanto desta fotografia.
Há fotografias assim. Podem não ser grande coisa, mas transportam-nos a memórias inesquecíveis. A fotografia também é isso. Ou como diria um reclame da kodak, para mais tarde recordar.
Lisbon Story
sábado, outubro 13
sexta-feira, outubro 12
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