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CALIBRAR O MONITOR

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Tente distinguir todas as zonas de transição correspondentes às letras de A a Z

domingo, abril 26

CONCEPTUAL WAR


Conceptual War, é uma marca líder em psicotecnologias de última geração. Como princípio estratégico sabemos que durante uma guerra a melhor política é tomar uma cidade intacta. O nosso compromisso ético consiste em garantir o menor dano material possível nas infraestruturas edificadas e nos corpos humanos, desestabilizando, ao mesmo tempo os alicerces de toda a influência moral tradicional e as bases da doutrina bélica ocidental.

Assim foi anunciada (em cartazes espalhados por toda a cidade) a Guerra Conceptual de André Trindade, artista plástico que concebeu, em colaboração com Pedro Moreira e Rui Matoso, uma instalação sonora colocada em vários locais do centro de Torres Vedras. Instalação sonora essa, destinada a reproduzir o som de rajadas de metralhadora e explosões, sons retirados de de jogos para computador.

O referido projecto enquadrou-se nas comemorações do 25 de Abril, naquela cidade, e fez parte do programa PORTUGAL E A MEMÓRIA, a decorrer de 03 de Abril a 03 de Maio de 2009, programa esse, promovido pelo TEATRO CINE DE TORRES VEDRAS.

Os autores da referida instalação sonora, pedem "desde já" desculpa "pela eventual ocorrência de estados psicossomáticos alterados" enquanto anunciam que a "Conceptual War" voltará a fazer um novo ataque no dia 03 de Maio de 2009 pela mesma hora.







E A BRISA


Excerto do poema "Liberdade" de Fernando Pessoa, inscrito a giz no painel central da imagem. Ver o poema completo em comentário (com o agradecimento a Helena Teresa Silva).

terça-feira, abril 21

O RUIDO QUE HÁ NO SILÊNCIO ENTRE AS PALAVRAS

Sim, em teoria, todos temos o mesmo direito a existir

enquanto lá fora, na direcção das paredes das nossas casas,

outras tantas pessoas andam com os pés enterrados na lama

e as caras sujas de fome e falta de vitaminas essenciais ao sorriso.


Sim, em teoria, todos achamos que o importante é o bem-estar geral

mesmo que isso implique uns quantos pretos a boiar no Mediterrâneo

e muitas famílias perdidas em continentes que pensamos terem sido inventados

para o nosso turismo idiota de ficar parado dias inteiros ao sol.


Sim, em teoria, sentimos ter a garantia de um futuro abençoado

pelo sistema de segurança social em bancarrota que nos deixaram,

em cofres de bancos defendidos pelos melhores advogados,

os nossos avozinhos que foram para o Brasil a vinte seis de Abril de setenta e quatro.


Sim, em teoria, sentimos ter a garantia do melhor serviço em todas as cadeias de lojas

que aceitem os nossos cartões visa sem validade porque o nosso nome vem nos jornais,

mesmo que algumas pessoas sejam despedidas todos os dias trinta do mês

porque as dívidas dos clientes impedem uma boa relação com os fornecedores.


Sim, em teoria, vamos todos acabar por ser felizes mais dia menos dia

porque se não o capitalismo há-de ser a religião ou a caridade ou o euromilhões

ou o casamento rico do nosso filho que andou a estudar para doutor das regras

e agora vive desregradamente à custa dos outros para nos fazer felizes a nós.


Sim, em teoria, vamos todos acabar mortos mais dia menos dia

e como não levamos nada desta vida a não ser as vidas todas que para ela trouxemos

talvez o melhor seja comer e beber tudo o que nos colocarem sobre a mesa portuguesa

e ao sair esperar, sempre de sorriso nos lábios, que o tipo que vem atrás pague a conta.


Poema: Em Teoria - LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO



Na sequência do projecto RLVA e da noite AL BERTIANA, "O ruído que há no silêncio entre as palavras" é mais uma performance poética aqui divulgada. Desta vez, numa actuação integrada no projecto HABITAR TORRES VEDRAS


Poesia: LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO

Ambientes sonoros: NICO VERINO

Imagens vídeo: PHAUSTINO

Guitarra: DE LA VEGA (GUITARRISTA DOS THE FOX)


segunda-feira, abril 20

IMAGENS IMAGINÁRIAS (excerto)

Imagens: STEVE MCCURRY

(...)

Será que uma simples imagem (...) tem o poder de nos revelar uma realidade que não veríamos de outra forma? Como se tivesse um qualquer poder oculto capaz de nos "iluminar" ? Esta é uma pergunta que ainda me inquieta e para a qual não tenho resposta definitiva, a não ser... Sim, claro! pelo menos, algumas imagens fazem-no certamente.

Somente a título de exemplo, vejam-se as imagens de Steve McCurry... Por exemplo, o famoso retrato da rapariga afegã... Trata-se apenas de um retrato... Apenas? Aquele retrato revelou-nos uma cultura, uma condição de vida para a qual o comum cidadão do chamado "mundo ocidental" não estava, de modo nenhum, sensibilizado... Um retrato, apenas, mudou esse paradigma. Aqueles olhos, aquela expressão..., o sofrimento, o encanto..., a vida e cultura de um povo ali espelhada. Numa única face.

(...)

Aquela imagem tinha de gerar imagens! E gerou. Após uma complicada e dispendiosa expedição, uma outra imagem surgiu...

No entanto, os olhos que antes brilhavam, que desafiavam, são agora tímidos. Agora quase pedem para que não os maltratem mais. O que mudou? Nada... e tudo. Foi a vida, o que se passou entre as duas imagens. A primeira imagem sugere-nos o quão dura pode ser uma vida. A segunda confirma-o, apresentando-nos essa dureza de forma brutal. Será que imaginávamos a segunda imagem antes dela ter sido realizada (...)? Talvez "imaginássemos" (...), mas o acto de vê-la, foi verdadeiramente uma revelação.

(...)

As imagens são isso mesmo: uma representação de algo que as ultrapassa, que as transcende enquanto simples imagens em suporte físico. E ao mesmo tempo, uma autêntica revelação. Algo em nós muda, ilumina-se, quando vemos certas imagens.

Texto: João Paulo Barrinha

Texto completo publicado em: DESENHOS COM LUZ - APAF

quinta-feira, abril 16

A PRISÃO DO ÉTICO

Winand I

Imagina que os teus dedos são troncos de árvore que, ao mínimo sopro de vento, poderão estatelar-se, indefesos na terra. Agora, pega no machado e corta um dos teus dedos. Corta-o.

Troncos, não te esqueças que os teus dedos são troncos.


Winand II

Winand tinha uma ferida no dedo. Decidiu cortá-lo. Foi a melhor metáfora política que encontrou no momento.


Ulz

Dentro de um quarto de hotel, Ulz, não tendo companhia, masturba-se. Quando acaba o acto inglório, Ulz levantar-se-á da cama inundada de matéria criadora, observar-se-á ao espelho e, sentindo-se humilhado, rebentará o crânio com uma bala.



Assim rezam três das micro-narrativas que compõem o livro A PRISÃO DO ÉTICO, de PAULO RODRIGUES FERREIRA.
Este é um livro inquietante, que, segundo o seu Editor, LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO "mostra aos leitores que mesmo no conforto das suas casas podem sempre correr perigo, obrigando-os a reflectir sobre coisas que habitualmente não querem pensar".

O livro A PRISÃO DO ÉTICO conta ainda com a imagem da capa realizada por João Paulo Barrinha, autor deste Blog, imagem essa que faz parte da série HUMANA CONDIÇÃO, da qual se poderão ver alguns outros exemplares, clicando no nome dessa mesma série.

Este livro é uma edição da LIVRODODIA, podendo ser adquirido através do seu SITE.

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terça-feira, abril 14

O PÓ DA ESTRADA...

CENÁRIOS rasgados, molhados, partidos.
Tudo, e SEM NADA acontecer.

Passas os dias a ruminar O MEDO...


SECA-SE a boca...
Perdido NOS SEUS SONHOS, o olho quer, mas
NÃO VÊ.
A tempestade clama A SUA SORTE.


Agora ÉS SÓ TU...
QUE MÃO TE SALVARÁ?

Todas as fábulas secaram, só te resta O PÓ DA ESTRADA...