
ABLLAU foi a primeira palavra que eu pronunciei. Em português nada significa, mas eu não sabia disso, e com ela dizia tudo... ABLLAU was the first word that I pronounced. In Portuguese it has no meaning, but I didn’t know that, and with it I said everything.
quinta-feira, janeiro 31
terça-feira, janeiro 22
Casa Hipólito 1900 - 1990

Na fachada da Casa Hipólito, em tempos a maior indústria do Concelho de Torres Vedras, pode-se ler as seguintes datas: 1900 - 1990. Este pormenor alimentou a minha imaginação pela sua estranheza... Pareceu-me uma lápide, onde se regista a data de nascimento e morte da pessoa que cobre. Neste caso, homenagem a uma das muitas empresas (e por extensão a todas) que não resistiu à modernização, à globalização e à má gestão. Na sua agonia final deixou 600 trabalhadores desempregados, sendo que 300 deles, resistiram até ao fim.
As imagens que se seguem não pretendem ser uma foto-reportagem, no sentido clássico do género. São antes alguns apontamentos onde se experimentam diversas abordagens estéticas, com a pretensão de contar uma possível história dos últimos dias daqueles edifícios, agora em início de demolição, cruzando-a com imagens reveladoras do estado de espírito e relação pessoal com aquele espaço.
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domingo, janeiro 20
A história de uma cadeira

A experiência do lugar, relação muito explorada, debatida e dissecada na arte contemporânea, é desde sempre no meu trabalho fotográfico, também uma presença assídua. Sendo a fotografia, na sua essência, um registo de vivências, de momentos e lugares, acabou por se tornar natural em mim registar também a minha presença nos locais que fotografo. No entanto, tal nunca foi (e penso que nunca será) uma constante... Não é igualmente, uma situação previamente planeada. O local terá de falar primeiramente comigo, o acto de registar a minha presença é sempre negociado. Ou gosto do local em si, do momento, e quero continuar a fazer parte dele, também nas fotografias, ou não gosto, e nem penso nisso. Algo terá de fazer click na minha cabeça.
Neste caso em particular, o que me levou a estas fotografias, sei-o agora depois de ver o resultado, foi algo mais que simplesmente gostar do local. Nelas, ao contrário do que se poderia supor, quase tudo é natural, no sentido de ocasional. A cadeira já lá estava, precisamente naquela posição. A parede já era assim. E mesmo a pós-produção, me foi imposta. As tonalidades com que ficaram as fotografias à saída da máquina digital (uma compacta barata) assim o obrigaram.
Depois, houve apenas a preocupação de casar o espírito do local com o meu próprio espírito. Neste caso, o local é a Casa Hipólito, uma fábrica falida e prestes a ser demolida que produzia utensílios diversos, entre os quais fogareiros a petróleo. Os condimentos estavam lá todos. Foi só juntar-he água, ou melhor dizendo neste caso, fogo, sob forma de um fogareiro a petróleo (produzido em tempos nessa mesma fábrica) e uma moldura branca com espelho e já usada por mim em diversos auto-retratos. A pequena performance, essa foi totalmente improvisada. E o resultado, ainda alimenta a minha imaginação.
domingo, janeiro 6
It is not possible to see
and to dissimulate that it is not seen.
It is not possible to hear
and to cover the ears.
It is not possible to feel…
Because to feel
it is to die on the inside,
every day,
seeing the life of the world.
PS: dedicated to all those that seeng,
that hear and although this, have the courage to feel. To see, to feel: http://www.jamesnachtwey.com/
Não é possível ver
e fingir que não se vê.
Não é possível ouvir
e tapar os ouvidos.
Não é possível sentir...
Porque sentir
é morrer por dentro,
todos os dias,
vendo a vida do mundo.
PS: dedicado a todos aqueles
que vêm, ouvem e apesar disso,
têm a coragem de sentir. Para ver, para sentir: http://www.jamesnachtwey.com/
quinta-feira, janeiro 3
Ser poeta





















