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CALIBRAR O MONITOR

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sexta-feira, dezembro 28

Tempo


Sim, sou eu...
Á medida que passo, o chão foge-me debaixo dos pés. Para trás deixo os meus passos.
Os jornais, agora alinhados, dizem todos a mesma coisa. Parece que mataram aquela senhora... Aquela com o nome parecido com o óleo de fígado de bacalhau que a minha mãe me obrigava a tomar nos invernos e que eu detestava...
Parece que o tipo que o fez, estava mesmo decidido. Deu-lhe com um tiro no pescoço e depois, talvez para que ela morresse mesmo bem, ou por outra razão qualquer que desconheço, explodiu-se a ele e a mais uns quantos. Que desperdício...
Ouvi dizer que os países ocidentais tinham esperança nessa senhora, para que aquele país não se transforme num caos... A esperança morreu. Mas o caos nascerá? A vida é imprevisível, as bombas atómicas também... Poderão explodir em qualquer lado, é só uma questão de tempo... Afinal foi para isso que foram feitas...
Neste momento passo por um quintal. O cão deprimido e que cheira mal, ladrou-me como faz com toda a gente, com aquela voz grossa, embora sem convicção. Como que chateado com a humanidade e ao mesmo tempo resignado, porque está preso e não sai dali há anos.
Olho para a frente. Estou quase a chegar.
Toda a gente diz que vai começar um novo ano, mas não noto nada. Para mim, o que vai começar é um novo passo. E mais outro...
Agora é só abrir a porta e já está.

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